Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara em vitória histórica contra Trump

O Partido Democrata conquistou o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (3), impondo uma das maiores derrotas políticas do governo Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca. O resultado representa uma reviravolta histórica na política norte-americana. Os republicanos, que controlavam as duas casas do Congresso, perderam suas maiorias após uma onda de vitórias democratas em estados considerados tradicionalmente conservadores.

Segundo projeções divulgadas pela imprensa americana, os democratas deverão iniciar janeiro de 2027 com aproximadamente 54 cadeiras no Senado, contra 44 republicanos, enquanto duas disputas ainda permaneciam sem definição. Na Câmara, os democratas também garantiram maioria, com uma vantagem expressiva sobre os republicanos.

A onda democrata atingiu estados importantes como Texas, Kansas, Carolina do Sul, Iowa e Ohio. No Texas, o democrata James Talarico conquistou uma cadeira no Senado, em uma vitória histórica para o partido. O resultado representa uma derrota particularmente significativa para Trump, que havia vencido o estado com ampla vantagem em 2024.

No Kansas, Adam Hamilton conquistou uma cadeira que estava nas mãos dos republicanos. A vitória encerra um longo período sem representação democrata do estado no Senado. Outra derrota de grande repercussão aconteceu no Maine, onde a republicana Susan Collins perdeu a disputa para Troy Jackson.

Custo de vida e guerra com o Irã pesaram nas urnas

A insatisfação econômica aparece entre os principais fatores que explicam a derrota republicana. Eleitores demonstraram preocupação com o aumento dos preços, os combustíveis e os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump.

A guerra envolvendo o Irã também contribuiu para o desgaste político da administração republicana, ampliando as preocupações com a economia e a política externa. Pesquisas de boca de urna indicaram que aproximadamente metade dos eleitores enxergava a votação como uma oportunidade de manifestar oposição ao presidente.

Com o controle do Congresso, os democratas prometem ampliar a fiscalização sobre o governo federal. Entre as prioridades estão investigações sobre negócios envolvendo pessoas próximas ao presidente, políticas migratórias e decisões administrativas da Casa Branca. O partido também pretende apresentar propostas para reduzir o custo de vida e recuperar investimentos em programas de saúde. Hakeem Jeffries surge como favorito para assumir a presidência da Câmara dos Representantes, tornando-se o primeiro homem negro a ocupar o cargo.

A derrota eleitoral provocou turbulência dentro do Partido Republicano. O atual presidente da Câmara, Mike Johnson, informou que não pretende permanecer na liderança republicana quando o novo Congresso assumir suas funções. A decisão representa mais um sinal da dimensão da crise política enfrentada pelos republicanos após o resultado eleitoral.

O presidente Donald Trump reagiu à derrota afirmando que não estava diretamente nas urnas e que teria vencido caso fosse candidato. Apesar das críticas, Trump sinalizou disposição para trabalhar com os democratas em algumas questões, embora tenha ameaçado vetar propostas que considere inaceitáveis. O presidente continuará no cargo até janeiro de 2029, mas terá de enfrentar um Congresso controlado pela oposição.

O que acontece agora?

Os novos parlamentares assumirão seus mandatos em janeiro de 2027. Até lá, os republicanos continuarão controlando formalmente as duas casas durante o período de transição. A partir da posse dos novos congressistas, os democratas terão poder para bloquear indicações presidenciais, controlar comissões parlamentares e iniciar investigações contra integrantes do governo. A vitória também começa a redesenhar o cenário político para as eleições presidenciais de 2028.

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