“O PT é uma merda? É, mas é a minha merda”, diz Lula durante discurso em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou atenção ao usar uma expressão inusitada para falar sobre o próprio partido durante um discurso realizado na última sexta-feira (7), no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

Durante a fala, Lula relembrou uma declaração que atribuiu à economista e ex-deputada Maria da Conceição Tavares, que morreu em 2024. Ao comentar a relação com o Partido dos Trabalhadores, o presidente disse:

“O PT é uma merda? É. Mas é a minha merda, não é a sua. Então, só eu posso falar dela.”

A declaração foi feita enquanto Lula falava sobre a origem do PT e a ligação histórica da legenda com os trabalhadores e movimentos sociais. Segundo o presidente, a frase representa uma relação de pertencimento e de defesa do partido, mesmo diante de suas críticas e problemas.

O trecho do discurso voltou a circular nas redes sociais nesta semana e ganhou repercussão pelo tom informal utilizado pelo presidente ao se referir à própria legenda.

Frase já havia sido citada por Lula

Não é a primeira vez que Lula utiliza a referência. Em 2014, o então ex-presidente também contou uma história semelhante ao defender o PT e reconhecer que o partido tinha problemas, mas continuava sendo sua legenda.

A frase atual, no entanto, é apresentada por Lula como uma declaração de Maria da Conceição Tavares. Registros anteriores mostram que a economista já havia feito críticas duras ao governo e ao próprio PT, embora a formulação conhecida em registros de 2005 seja diferente da frase reproduzida pelo presidente.

Na ocasião, Conceição Tavares teria dito que poderia ser “um governo de merda”, mas era “o meu governo”, além de afirmar que não rasgaria a carteirinha do PT porque, quando havia entrado no partido, a legenda ainda era séria.

A fala de Lula no Inpe, portanto, resgata uma frase que ele já havia utilizado anteriormente e que voltou a repercutir nas redes sociais quase duas semanas depois do discurso.

O trecho ganhou destaque justamente pela expressão pouco usual em um discurso presidencial e pela maneira como Lula procurou reforçar seu vínculo histórico com o PT.

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