Em um movimento diplomático de alto risco, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram um memorando de entendimento (MoU) que visa encerrar as hostilidades entre os dois países, que duraram quatro meses . O acordo preliminar foi assinado em um jantar de estado oferecido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versailles, durante a cúpula do G7, e coloca em prática um cronograma de 60 dias para a negociação de um tratado de paz definitivo .
O pacto, mediado pelo Paquistão e com a participação do Qatar, representa uma das mais significativas desescaladas na tensa relação entre Washington e Teerã nas últimas décadas . O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador, descreveu o momento como um “divisor de águas histórico” para a estabilidade regional .
Pontos-Chave do Memorando
O documento de 14 pontos, agora em vigor, estabelece medidas imediatas e um roteiro para negociações futuras . Entre os principais termos, estão:
Cessação das Hostilidades e Reabertura do Estreito
O primeiro ponto do acordo declara a “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano” . Como uma contrapartida imediata, o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz, uma via de navegação crucial por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, que havia sido efetivamente fechado durante o conflito . Os Estados Unidos, por sua vez, iniciarão a remoção de seu bloqueio naval aos portos iranianos, um processo que deve ser concluído em até 30 dias .
Alívio Econômico e Reconstrução
O acordo prevê um ambicioso plano de reconstrução e desenvolvimento econômico para o Irã, avaliado em pelo menos 300 bilhões de dólares, a ser desenvolvido pelos EUA e parceiros regionais . No entanto, autoridades americanas enfatizaram que os Estados Unidos não contribuirão financeiramente para esse fundo, limitando-se a conceder licenças e isenções para que outros países invistam . Além disso, o governo americano se compromete a suspender todas as sanções econômicas contra o Irã e a liberar ativos iranianos congelados, com a liberação condicionada ao cumprimento das obrigações por parte de Teerã .
A Questão Nuclear Adiada
O ponto mais delicado do conflito — o programa nuclear iraniano — foi propositalmente deixado para a fase final de negociações . O MoU reafirma o compromisso do Irã de “não adquirir ou desenvolver armas nucleares” e determina que o urânio enriquecido do país seja diluído in loco sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) . As partes terão 60 dias, prorrogáveis por consentimento mútuo, para chegar a um acordo final sobre este e outros temas pendentes .
Reações e Desconfiança
Apesar do otimismo oficial, o acordo foi recebido com ceticismo em Teerã. O porta-voz do parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou à mídia estatal que a desconfiança de seu país em relação aos EUA permanece, afirmando que o “dedo do Irã está no gatilho” caso o inimigo não entenda a “linguagem da lógica” . O presidente Trump, por sua vez, adotou um tom de advertência, afirmando que os EUA “bombardearão o inferno” no Irã se um acordo final não for alcançado .
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também demonstrou insatisfação, especialmente em relação ao ponto que exige a cessação das operações militares no Líbano, onde Israel tem enfrentado o Hezbollah, aliado do Irã . Autoridades americanas confirmaram que Israel teve acesso ao texto do acordo, mas expressaram frustração com a continuação dos ataques israelenses no Líbano .
A cerimônia oficial de assinatura do acordo estava marcada para ocorrer em Genebra, na Suíça, mas foi realizada antes por meio de assinaturas eletrônicas . A comunidade internacional, incluindo Alemanha, França, Reino Unido e Itália, já manifestou apoio ao acordo e se declarou pronta para auxiliar na reabertura do Estreito de Ormuz .







