A morte do policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior, ocorrida na última quinta-feira (11), em Recife (PE), ganhou novos desdobramentos após a defesa da ex-companheira da vítima afirmar que ela percebeu uma suposta troca de taças feita pelo PM horas antes de ele passar mal e morrer.
O caso aconteceu em um apartamento localizado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana, e é investigado pela Polícia Civil como “morte a esclarecer”. Até o momento, a causa da morte não foi definida e dependerá da conclusão dos laudos periciais.
Segundo o advogado Rafael Nunes, que representa a ex-companheira do policial, uma corretora de imóveis de 48 anos, o relacionamento entre os dois durou cerca de seis meses e foi marcado por conflitos. A mulher possuía uma medida protetiva contra Silva Júnior desde março, após episódios de violência doméstica.
De acordo com a versão apresentada pela defesa, mesmo após a determinação judicial, o policial continuou procurando a ex-companheira e, na madrugada do dia em que passou mal, foi autorizado a entrar no apartamento.
Ainda conforme o relato, os dois conversavam e consumiam energético quando a mulher percebeu que as taças haviam sido trocadas. Os recipientes possuíam uma marca de identificação — um ponto preto — utilizada pela proprietária para diferenciar utensílios usados por inquilinos do imóvel.
Ao notar a mudança, a mulher teria ficado desconfiada e acreditado que poderia haver alguma substância na bebida. Segundo os advogados, ela aguardou um momento de distração do policial para retornar as taças à posição original sem que ele percebesse.
“Ela ficou em choque, aflita e com medo. Esperou a oportunidade e conseguiu destrocar as taças sem que ele notasse”, afirmou Rafael Nunes.
A defesa relata ainda que houve uma discussão motivada por ciúmes, mas sem agressões físicas. Durante o desentendimento, o policial teria jogado pela janela tanto o próprio celular quanto o aparelho da ex-companheira.
Após a discussão, os dois foram dormir. Na manhã seguinte, a mulher teria comentado com um dos inquilinos do apartamento que havia percebido a troca das taças durante a madrugada.
Horas depois, por volta do meio-dia, Silva Júnior começou a apresentar sintomas graves. Segundo os advogados, ele ficou com a pele arroxeada e passou a expelir espuma pela boca. A ex-companheira então pediu ajuda ao porteiro do prédio, que acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Quando a equipe chegou ao local, o policial já estava morto.
Outro advogado da defesa, Flávio Lapenda, afirmou que a mulher colaborou integralmente com as investigações e prestou todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.
Ainda segundo Rafael Nunes, entre os pertences encontrados com o policial estavam uma faca, uma porção de maconha e medicamentos. A defesa afirma que aguarda os resultados das perícias para esclarecer se houve ou não envenenamento.
“O que existe hoje são hipóteses. A polícia irá esclarecer se houve veneno ou não. Nossa cliente está à disposição para contribuir com as investigações”, declarou o advogado.
O caso segue sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios, vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que aguarda os resultados dos exames periciais para determinar a causa da morte e esclarecer as circunstâncias que levaram ao falecimento do policial militar.







