Morte de falsa advogada em presídio repercute após relatos de delação contra grupo ligado a David Almeida

A morte da falsa advogada Lucila Meireles Costa, de 42 anos, ocorrida na última sexta-feira (22), em Teresina (PI), elevou a tensão em torno da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Lucila negociava uma possível delação premiada relacionada ao esquema investigado, que atingiu pessoas próximas ao ex-prefeito de Manaus, David Almeida.

A investigação ganhou repercussão após atingir integrantes ligados ao antigo núcleo político da Prefeitura de Manaus, entre eles a ex-assessora Anabela Cardoso de Freitas, presa durante a operação realizada em fevereiro deste ano. Nos bastidores políticos, havia expectativa sobre os possíveis desdobramentos de uma eventual colaboração de Lucila com as autoridades.

Lucila foi presa suspeita de se passar por advogada para acessar ilegalmente processos sigilosos da Justiça do Amazonas. Segundo as investigações, ela utilizava de forma irregular um token pertencente a uma advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) para consultar documentos restritos e repassar informações ao Comando Vermelho (CV).

De acordo com a PC-AM, o esquema envolvia monitoramento de decisões judiciais e acesso privilegiado a informações sigilosas de interesse da facção criminosa. Além de Anabela Cardoso, a operação também teve como alvo o servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Izaldir Moreno Barros, e o policial militar Josafá de Figueiredo Silva.

As investigações apuram crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, anotações e documentos considerados fundamentais para o avanço das investigações.

Dias antes da morte, a Defensoria Pública do Amazonas solicitou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. Conforme a defesa, Lucila apresentava quadro severo de debilidade física e psicológica, além de episódios de delírios, alucinações e recusa alimentar. Ela também teria perdido cerca de 35 quilos enquanto estava no sistema prisional.

Lucila estava internada desde o dia 19 de maio em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Promorar, em Teresina. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi associada a diabetes descompensada, hiperglicemia e acidose metabólica e respiratória.

Até o momento da morte, o pedido de prisão domiciliar ainda aguardava parecer do Ministério Público. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionado para cumprir o protocolo previsto em casos de morte sob custódia do Estado.

A morte de Lucila agora adiciona novos questionamentos ao caso e amplia a pressão sobre os desdobramentos da Operação Erga Omnes, considerada uma das mais sensíveis investigações recentes envolvendo supostos vazamentos de informações sigilosas e conexões entre agentes públicos e o crime organizado no Amazonas.

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