A proximidade da influenciadora e advogada Deolane Bezerra com Francisca Alves da Silva, que é casada com Alejandro Camacho Júnior (irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC), intensificou as investigações sobre um possível vínculo dela com a facção criminosa.
De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, responsável pela Operação Vernix, essa relação pessoal passou a ser tratada como um indício relevante de que Deolane teria participado de esquemas de lavagem de dinheiro em benefício da organização.
“Ela acaba se envolvendo cada vez mais, e agora a investigação demonstra isso nas atividades da facção”, afirmou o delegado Ramon Euclides Guarnieri.
O dinheiro e as empresas de fachada
As suspeitas ganharam força após a polícia identificar transferências bancárias feitas por uma transportadora investigada — supostamente usada como empresa de fachada pelos irmãos Camacho — para contas pessoais de Deolane e para empresas em seu nome.
Um relatório financeiro aponta que:
- Mais de R$ 13 milhões circularam nas contas pessoais da influenciadora entre 2018 e 2022.
- Outros R$ 14 milhões teriam passado por empresas registradas em nome dela.
Ainda segundo a investigação, o mesmo contador que abriu empresas ligadas a Deolane também prestava serviços a pessoas próximas à família Camacho. A polícia também destaca a relação da influenciadora com Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo criminoso.
Prisão e defesa
Deolane foi presa preventivamente no dia 21 de maio, em um condomínio de luxo em Barueri (SP), ao retornar de uma viagem à Itália — onde já era monitorada pela Interpol. Ela está detida no presídio feminino de Tupi Paulista, no interior paulista.
A defesa de Deolane, liderada pelo advogado Aury Lopes Jr., nega qualquer ligação com o crime organizado ou com dinheiro ilícito. Em audiência de custódia, a influenciadora afirmou que os valores recebidos eram pagamentos legítimos por serviços advocatícios prestados no passado.
Já o advogado de Marcola contestou a inclusão do cliente no caso, alegando falta de provas diretas. As defesas de outros investigados não se manifestaram ou não foram localizadas até o fechamento desta reportagem.






