A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, que comoveu o país no início deste ano, sofreu uma reviravolta após o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluir que não há provas de que adolescentes tenham agredido o animal. Segundo o MPSC, uma revisão de quase dois mil arquivos digitais, laudos periciais e a reanálise da cronologia dos fatos mostraram que o grupo não teve contato com Orelha na praia e que a morte do cachorro estaria associada a uma doença, e não a agressões.
O órgão pediu o arquivamento do caso e solicitou que a Corregedoria da Polícia Civil apure possíveis irregularidades na condução do inquérito. A morte de Orelha, considerado um animal dócil e tratado por moradores como “mascote” da Praia Brava, em Florianópolis, gerou ampla repercussão.
Na noite de 4 de janeiro, o cão foi encontrado ferido em uma área turística da capital catarinense e levado a uma clínica veterinária. No dia seguinte, ele foi submetido à eutanásia. Na época, a Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que Orelha tinha sido vítima de agressão e identificou quatro adolescentes como suspeitos do ato. A investigação inicial sustentava que o cachorro havia sofrido golpes na cabeça com um objeto contundente.
Com a conclusão do inquérito, um adolescente foi apontado como autor do crime e teve o pedido de internação provisória solicitado pela polícia. Mas, segundo o Ministério Público, foram identificadas inconsistências na linha do tempo usada pela polícia para sustentar a hipótese de maus-tratos.”A análise minuciosa das câmeras de vigilância confirmou o que já havia sido identificado pela Polícia Científica: houve descompasso temporal nas imagens, e os adolescentes investigados e o cão ‘Orelha’ não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão”, afirmou o órgão em comunicado divulgado nesta terça-feira (12/5) pela sua Coordenadoria de Comunicação Social.
“As evidências técnicas e testemunhais indicam, ainda, que a morte do cão “Orelha”, submetido à eutanásia, está associada a uma condição grave e preexistente”, acrescentou o MP. O pedido de arquivamento da investigação foi assinado por três Promotorias de Justiça e protocolado na última sexta-feira (8/5). A BBC News Brasil não teve acesso à íntegra da manifestação, que corre sob sigilo.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que “concluiu as investigações relacionadas ao caso e realizou, oportunamente, a divulgação oficial das medidas adotadas no âmbito do inquérito policial”.







