Por que apoiadores de Bolsonaro bebem e se banham com detergente Ypê em protestos?

Um movimento de eleitores da direita ganhou força nas redes sociais após Anvisa apontar falhas nas etapas de produção dos produtos Ypê. Teoria da conspiração? O argumento dos bolsonaristas é que a decisão da Anvisa só poderia ser uma manobra “lulista” para prejudicar a marca que, em 2022, financiou as campanhas de Jair Bolsonaro. Em 2024, a Ypê também foi condenada por assédio eleitoral por ter coagido seus trabalhadores a votarem no candidato do PL.

Seja em grupos de whatsapp, postagens no instagram, tik tok ou a rede X, a direita bolsonarista se levantou em defesa da empresa Ypê. Para esses eleitores, a Anvisa estaria atuando politicamente em ano de campanha eleitoral para prejudicar financeiramente a marca.

“Vou continuar usando Ypê porque isso é perseguição da Anvisa Lulista”, escreveu um usuário em post da marca. O comentário teve mais de 1500 curtidas em 18 horas. Já outro usuário comentou que os produtos da marcar eram os seus favoritos e que não deixaria de usar:

“Não é a primeira vez que a Anvisa faz isso com essa empresa. Só porque a Ypê apoiou a direita. Por que a Anvisa não suspendeu a vacina que matou muitas pessoas?”, questionou.

Após movimento ganhar fôlego nas redes sociais com comentários no post da pópria marca Ypê, a própria Michele Bolsonaro também entrou na onda. Em stories do instagram nesse fim de semana, a ex-primeira dama publicou foto tomando sol com a legenda “por aqui só usamos Ypê”.

Políticos também entraram em defesa da marca. O senador Cletinho Azevedo (Republicanos), publicou em suas redes um vídeo lavando louça com o detergente Ypê.

“Cês viram aí que a Anvisa mandou suspensar a fabricação e a comercialização dos produtos Ypê. (…) E eu queria deixar bem claro aqui que a Ypê é uma empresa de mais de 75 anos aqui no Brasil que gera mais de 7 mil empregos, que foi um lote que está dando problema e que tem que ser fiscalizado, porque a saúde em primeiro lugar. Mas vale como uma coincidência também que essa empresa Ypê, em 2022, dou para a campanha de Jair Bolsonaro”, disse Cletinho em seu vídeo.

Nesta segunda (11), o Luciano Hang, dono da marca Havan e famoso pelas declarações a favor de Bolsonaro, publicou também um vídeo em apoio a marca. O óbvio precisa ser lembrado. Ingerir detergente pode causar complicações sérias para a saúde, já que são produtos tóxicos, que podem causar intoxicações. Na composição desses produtos existem substâncias como fosfato, silicatos, agentes removedores e manchas e modificadores de espuma, corantes, fragâncias artificiais e álcoois.

Entenda o caso

Na última quinta-feira, 7, a Anvisa determinou o recolhimento de diversos produtos da Ypê após identificar descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia, produção e controle de qualidade.

Em nota, a agência afirmou que os problemas identificados comprometem os requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF), com potencial risco de contaminação microbiológica – ou seja, presença indesejada de microrganismos potencialmente nocivos nos produtos.

No dia seguinte, a Ypê apresentou recurso contra a decisão da Anvisa e conseguiu suspender a proibição de comercialização de lotes de seus produtos até que o caso seja julgado pela diretoria da agência.

A Anvisa, no entanto, manteve a orientação de não utilização dos produtos. A medida vale para todos os lotes com numeração final 1 fabricados pela Química Amparo, na unidade de Amparo (SP).

A recomendação de evitar o uso também foi mantida pelo CVS. “O CVS esclarece que a avaliação técnica sobre o risco sanitário permanece mantida. A apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção”, disse.

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