33% dos brasileiros não acreditam que o homem foi à Lua

Às vésperas de uma nova expedição tripulada rumo ao satélite natural da Terra, uma parcela significativa da população brasileira ainda coloca em dúvida um dos episódios mais emblemáticos da história contemporânea. Pesquisa do Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (30), indica que 33% dos entrevistados acreditam que o ser humano nunca esteve na Lua.

Por outro lado, a maioria (58%) reconhece como verdadeiro o feito histórico, enquanto 9% dizem não ter opinião formada. O levantamento ganha relevância em meio aos preparativos da NASA para lançar a missão Artemis 2, prevista para 1º de abril. A operação deve levar quatro astronautas a um voo ao redor da Lua, marcando a retomada de missões tripuladas após mais de cinco décadas desde o Programa Apollo.

Os dados mostram que a descrença varia conforme o perfil da população. Entre pessoas com menor escolaridade, o ceticismo é mais elevado: 42% dos que têm apenas o ensino fundamental negam a ida à Lua, percentual que cai para 19% entre os que possuem ensino superior.

A diferença também aparece por faixa etária. Entre brasileiros com mais de 60 anos, 37% afirmam que a viagem nunca aconteceu, o maior índice entre os grupos analisados. Já entre jovens de 16 a 24 anos, a confiança no feito é maior: 64% acreditam que o homem realmente chegou à Lua.

No recorte religioso, evangélicos apresentam maior taxa de descrença, com 37% considerando falsa a missão lunar. Entre pessoas sem religião, o índice é menor, de 27%, enquanto 65% reconhecem o episódio como verdadeiro.

A pesquisa ouviu 2.086 pessoas com 16 anos ou mais em 123 cidades brasileiras, nos dias 9 e 10 de fevereiro. A margem de erro é de três pontos percentuais.

A ida do homem para a Lua

Apesar das dúvidas manifestadas por parte da população, a comunidade científica considera inequívoca a ida do ser humano à Lua, sustentada por um conjunto robusto de evidências acumuladas ao longo de décadas.

O principal marco desse feito foi a missão Apollo 11, realizada em 1969, quando os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminharam na superfície lunar. Ao todo, 24 astronautas viajaram até a órbita da Lua entre 1968 e 1972, em diferentes missões do programa Apollo.Entre as evidências mais concretas estão as cerca de 382 quilos de rochas lunares trazidas à Terra. Esses materiais apresentam características químicas distintas das rochas terrestres e seguem sendo estudados por cientistas de vários países, o que reforça sua origem fora do planeta.

Outro elemento importante são os retrorrefletores instalados na Lua durante as missões. Esses equipamentos ainda hoje permitem medir, com precisão, a distância entre a Terra e o satélite por meio de feixes de laser disparados de observatórios terrestres, um experimento independente que continua sendo replicado.

Imagens captadas por sondas modernas também corroboram os registros históricos. A Lunar Reconnaissance Orbiter, por exemplo, fotografou os locais de pouso das missões Apollo, revelando rastros deixados pelos astronautas e equipamentos abandonados na superfície lunar.

Além disso, as transmissões de rádio das missões foram acompanhadas, na época, por estações independentes ao redor do mundo, inclusive em países que competiam com os Estados Unidos durante a corrida espacial, o que fortalece a credibilidade dos registros.

Diante desse conjunto de provas, especialistas apontam que a chegada do homem à Lua é um dos acontecimentos mais documentados da história da ciência. Ainda assim, os dados do Datafolha mostram que, mesmo diante de evidências amplamente verificáveis, parte da população segue questionando um dos maiores marcos da exploração espacial.

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