A morte do menino Benício Xavier, de apenas 6 anos, ganhou novos desdobramentos chocantes após a polícia revelar mensagens que indicam comportamento incompatível com a gravidade do atendimento médico. O caso levanta suspeitas de negligência extrema e até de homicídio com dolo eventual.
O episódio aconteceu em 23 de novembro, quando a criança deu entrada em uma unidade hospitalar com sintomas inicialmente considerados leves, como tosse, febre e suspeita de laringite. Pouco tempo depois, uma decisão médica mudou drasticamente o rumo do atendimento.
Segundo a investigação, foi prescrita a aplicação de adrenalina diretamente na veia, sem diluição, procedimento considerado inadequado para o quadro clínico. Após a administração do medicamento, o menino apresentou piora imediata, com sucessivas paradas cardíacas, e não resistiu.
Durante o atendimento, a médica responsável foi acionada minutos após a aplicação. No início, ela buscou orientações com outros profissionais. No entanto, a apuração aponta que, ainda com a criança em estado crítico, ela passou a manter conversas pessoais no celular.
Mensagens mostram que, nesse período, a profissional chegou a negociar a venda de produtos de beleza e enviou dados para pagamento, atitude que, para os investigadores, demonstra indiferença diante da situação emergencial.
Outro ponto grave levantado pela polícia envolve a tentativa de manipulação de provas. De acordo com o inquérito, a médica teria articulado a produção de um vídeo adulterado para sustentar a versão de que o erro teria sido causado por falha no sistema do hospital. Perícias indicaram que o material foi alterado antes de ser apresentado pela defesa.
Para a Polícia Civil, os elementos reunidos reforçam a hipótese de dolo eventual, quando o profissional assume o risco de provocar o resultado, mesmo sem intenção direta. A possível tentativa de fraude também pesa na avaliação do caso.
Além da médica, a técnica de enfermagem que aplicou a medicação também é investigada. Ambas foram afastadas de suas funções por decisão judicial e estão proibidas de atuar na área da saúde por 12 meses.
A defesa da médica nega irregularidades, sustenta que o vídeo é legítimo e afirma que o erro pode ter sido causado por falhas no sistema hospitalar. Já a técnica declarou que apenas seguiu a prescrição recebida.
O inquérito também apura possíveis falhas estruturais e operacionais da unidade de saúde, incluindo protocolos de segurança e funcionamento do sistema eletrônico utilizado nas prescrições.
Mais de 20 pessoas já foram ouvidas, entre familiares, profissionais e representantes do hospital. O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, com possível responsabilização criminal dos envolvidos.







