Novas revelações expõem laços profundos entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 por grave crise de liquidez e violações normativas.
Documentos e registros oficiais indicam contratos milionários com empresas ligadas a Vorcaro, reuniões fora da agenda no Palácio do Planalto e conexões com ex-ministros petistas, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse em um momento de escrutínio sobre o setor financeiro.
Empresa de Vorcaro ligada a Governo Lula
A Biomm (BIOM3), empresa de biotecnologia especializada em insulinas, na qual o Banco Master detém 25,86% das ações via Fundo Cartago, fechou ao menos três contratos com o Ministério da Saúde totalizando R$ 303,65 milhões para fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025.
Os acordos incluem parcerias de longo prazo, como um termo para entrega de 2,01 milhões de doses de insulina glargina por R$ 30,65 milhões, prorrogável por até 10 anos. A fábrica da Biomm em Nova Lima (MG) – capaz de suprir 80% da demanda nacional de insulina – recebeu financiamentos públicos de R$ 336 milhões via Finep, BNDES e BDMG, e foi inaugurada pelo próprio Lula em 26 de abril de 2024, em evento com acionistas como Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro e amigo pessoal do presidente, e o empresário Lucas Kallas. Vorcaro, principal acionista, não compareceu, mas o ato simbolizou o apoio governamental a um projeto ligado ao banqueiro.
Visitas sigilosas de Vorcaro ao Palácio do Planalto
Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) mostram que Vorcaro visitou o Palácio do Planalto pelo menos quatro vezes entre 2023 e 2024, incluindo encontros com o pai, Henrique Vorcaro.
O mais controverso ocorreu em 4 de dezembro de 2024: uma reunião fora da agenda oficial com Lula, o ex-ministro Guido Mantega, o então indicado para presidir o Banco Central Gabriel Galípolo, e o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima. Na ocasião, Vorcaro teria se apresentado como vítima de “perseguição” por grandes bancos, pedindo conselhos sobre a pressão para vender o Master. Lula criticou a concentração bancária e incentivou o banqueiro a “seguir firme”, segundo relatos. Mantega, que atuava como consultor do Master por R$ 1 milhão mensais, articulou o encontro.
Conexões com ministros de Lula
As conexões vão além: o escritório de advocacia da família do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski recebeu R$ 5,25 milhões a R$ 6,5 milhões do Banco Master por consultoria jurídica entre 2023 e setembro de 2025 – período em que Lewandowski chefiava a pasta.
O contrato, de R$ 250 mil mensais, foi firmado por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA). Lewandowski se afastou pessoalmente ao assumir o ministério, mas o vínculo prosseguiu via sócios familiares. O governo nega conhecimento prévio e destaca que Vorcaro foi preso na gestão Lula, em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, por suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB por R$ 12,2 bilhões.
Essas ligações surgem em meio a investigações que apontam Vorcaro como líder de uma organização criminosa contra o Sistema Financeiro Nacional, com ramificações políticas amplas, incluindo amplamente políticos do PT, da esquerda e do centrão.






