“Política é feita de ciclos e escolhas”, diz União Brasil após saída de Caiado

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou nesta terça-feira (27/01/2026) sua desfiliação do União Brasil e a adesão ao PSD, presidido por Gilberto Kassab. A mudança ocorre após meses de impasse interno na antiga legenda, que inviabilizou o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. Com a filiação, Caiado passa a disputar internamente o posto de presidenciável com os governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite.

A decisão de Caiado foi motivada, sobretudo, pela falta de consenso dentro do União Brasil sobre a conveniência de investir em uma candidatura presidencial própria. A legenda, formada em 2022 a partir da fusão entre DEM e PSL, vive disputas internas recorrentes, agravadas pela federação com o PP, comandado por Ciro Nogueira.

Setores da cúpula defendiam adiar qualquer definição nacional, apostando na liberação futura de filiados para apoios regionais distintos, seja ao presidente Luiz Inacio Lula da Silva, seja ao senador Flavio Bolsonaro. Essa postura, resumida internamente pela máxima de “não decidir hoje o que pode ser decidido amanhã”, gerou forte insatisfação no governador goiano.

Apesar de haver uma ala que sustentasse a manutenção da pré-candidatura de Caiado como instrumento de barganha política, prevaleceu a avaliação de que a legenda não deveria concentrar recursos e energia em uma disputa presidencial de resultado incerto.

Filiação ao PSD e disputa interna

No PSD, Caiado encontra um cenário distinto, porém competitivo. Kassab já havia sinalizado que o partido lançaria candidatura própria ao Planalto e, até então, os nomes mais cotados eram Ratinho Júnior e Eduardo Leite. Em vídeo divulgado nas redes sociais, os três governadores apareceram juntos, enfatizando unidade e compromisso com um projeto comum.

Caiado afirmou que ingressa na legenda com “total desprendimento” e que aceitará apoiar qualquer um dos três que venha a ser escolhido. A mesma linha foi adotada por Leite e Ratinho, que destacaram a necessidade de construir uma alternativa nacional capaz de oferecer previsibilidade política e administrativa ao país.

Desempenho eleitoral e estratégia

Pesquisas recentes indicam que Caiado oscila entre 6% e 7% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Ratinho Júnior aparece com índices entre 10% e 12%. Ainda assim, aliados do governador de Goiás avaliam que a candidatura presidencial representa o passo final de uma trajetória política consolidada, mesmo que envolva riscos elevados.

A estratégia de Caiado é clara: permanecer na disputa até o limite, apostando na visibilidade nacional, no discurso de responsabilidade fiscal e na ênfase em segurança pública e agronegócio, marcas de sua gestão em Goiás.

Nota oficial e reação do União Brasil

Em resposta à saída, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, divulgou nota oficial afirmando que a legenda “registra com respeito” a decisão do governador. O texto reconhece a trajetória de Caiado, sua contribuição ao debate público nacional e seu papel no fortalecimento do partido nos estados, além de reiterar o compromisso da sigla com a governabilidade e a responsabilidade institucional.

A nota também enfatiza que a política é feita de ciclos e escolhas, desejando êxito ao governador em sua nova etapa, sem sinalizar qualquer ruptura institucional mais profunda.

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