Durante mais de um século, os corredores da antiga Prisão de Nara, no Japão, foram símbolo de vigilância, silêncio e disciplina. Construído em 1908, em plena Era Meiji (período em que o país se abria ao mundo e reformulava suas instituições), o prédio foi pensado para representar modernidade, controle e ordem. Agora, mais de 115 anos depois, o mesmo espaço passa por uma transformação radical… onde antes havia celas, surgem suítes; no lugar do confinamento, entra em cena o luxo!
A histórica prisão, desativada desde 2017 e reconhecida como Patrimônio Cultural Importante do Japão, renasceu como um hotel cinco estrelas da rede Hoshino Resorts. O projeto, que preserva a essência arquitetônica do edifício, transforma o antigo complexo penal no HOSHINOYA Nara Prison, um hotel exclusivo com 48 suítes instaladas justamente nas áreas que antes abrigavam detentos.
O impacto da proposta começa pela arquitetura. A prisão de Nara foi uma das primeiras do país a adotar um modelo ocidental, com paredes de tijolos vermelhos, janelas altas e um desenho radial: cinco alas de celas partem de uma guarita central, permitindo vigilância total, um conceito avançado para a época! Essa estrutura foi mantida e adaptada, sem descaracterizar o prédio. Os corredores continuam amplos, os tetos seguem altos e os blocos originais permanecem visíveis, agora combinados a elementos contemporâneos, como madeira, ferro e iluminação suave.

As suítes ocupam antigas celas individuais e áreas administrativas. Algumas preservam, de forma sutil, marcas do passado, como portas espessas e proporções originais, mas ganham conforto absoluto. O destaque é a suíte chamada “The 10-Cell”, criada a partir da união de dez celas solitárias (antes as menores unidades da prisão) que hoje formam um espaço amplo com quarto, sala de estar e área de jantar. A ideia não é apagar a história, mas transformá-la em experiência.
O hotel funciona exclusivamente com suítes e segue o padrão da marca HOSHINOYA, conhecida por unir hospitalidade de alto nível, design minimalista e forte vínculo com o contexto local. As diárias partem de cerca de 147 mil ienes, algo em torno de R$ 5 mil, e as reservas começaram a ser abertas antes mesmo da inauguração oficial, marcada para o fim de junho.
Anexo ao hotel, um museu também foi criado para preservar e contar a história da antiga prisão. O espaço é dividido entre áreas de conservação, que incluem uma cela original e a guarita central, e áreas expositivas, com mostras, café e loja. A iniciativa reforça o compromisso de não transformar o passado em mero cenário decorativo, mas em parte viva da experiência cultural.







