Durante cerimônia pelos 90 anos da criação do salário mínimo, realizada na sexta-feira (16) na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um trecho de seu discurso amplamente repercutido após declarações sobre educação, trabalho e desigualdade social. Frases isoladas geraram mal-estar entre parte do público e reações nas redes sociais, mas aliados do presidente afirmam que o conteúdo foi retirado de contexto e tinha caráter crítico a uma mentalidade histórica excludente.
Ao discursar, Lula afirmou que, durante muito tempo, predominou no país a ideia de que “educação, saúde e salário são coisas para quem estudou e tem dinheiro”. A declaração causou surpresa entre funcionários da Casa da Moeda e autoridades presentes, sendo interpretada por alguns como uma relativização do papel da educação para a população mais pobre.
Em outro trecho do discurso, no entanto, o presidente contextualizou a fala ao afirmar que essa visão sempre esteve associada a uma lógica elitista, segundo a qual “pobre não nasceu pra estudar, pobre nasceu pra trabalhar”. Para Lula, esse pensamento foi responsável por manter milhões de brasileiros afastados do ensino superior e de melhores oportunidades ao longo da história, contribuindo para a perpetuação das desigualdades sociais no país.
A repercussão foi imediata. Nas redes sociais e no meio político, as opiniões se dividiram. Críticos acusaram o presidente de generalizar o tema e de usar a educação como instrumento de discurso político. Já aliados e apoiadores ressaltaram que Lula fazia uma crítica histórica ao modelo excludente de acesso à educação, defendendo justamente a ampliação de oportunidades para a população de baixa renda.
A fala ocorre em um momento de intenso debate nacional sobre desigualdade de acesso a serviços públicos, especialmente nas áreas de educação, saúde e emprego, temas centrais da agenda social do governo. Apesar da controvérsia, interlocutores do Planalto destacam que o posicionamento do presidente é coerente com políticas adotadas em seus mandatos anteriores, como a expansão das universidades federais e programas de inclusão educacional.
Confira a fala na íntegra:
“A República Dominicana foi descoberta em 1498 pelo Colombo. 32 anos depois do Colombo chegar lá, a República Dominicana já tinha uma universidade. E aqui demorou 420 anos para fazer a primeira universidade. Por que será que acontecia isso? É porque o pobre não precisa estudar, porra. Vocês nasceram só para trabalhar. Será que a gente não percebe isso? Será que vocês não percebem? Pobre não nasceu para estudar. Pobre nasceu para trabalhar. Estudar é coisa de filho de rico, que pode fazer estudo na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Espanha e em qualquer lugar. Mas aqui não. Aqui temos que ser cortador de cana. As pessoas adoravam dizer: ‘Ah, como é bom nordestino, eles sabem trabalhar na construção civil’. A gente não quer ser só pedreiro ou ajudante de pedreiro, que é uma profissão muito valiosa, mas a gente também quer ser engenheiro, doutor, médico, professor. E o que é que precisa fazer? O que precisa fazer é dar oportunidade. Não é o governo que faz. A gente abre a porta para as pessoas passarem. A gente abre as portas e é por isso que a gente está vendo hoje muitos meninos e meninas negras sendo doutor”, disse o presidente Lula.







