Um lobista conhecido por se passar por delegado da Polícia Federal foi executado a tiros na zona Leste de São Paulo na manhã de segunda-feira. A vítima, Luís Francisco Caselli, 61 anos, tinha um histórico criminal extenso, incluindo pelo menos 20 passagens pela polícia paulista por estelionato.
O crime ocorreu no bairro Jardim Anália Franco, quando Caselli estava dentro de seu carro blindado. Segundo testemunhas e imagens de câmeras de segurança, dois homens em uma motocicleta se aproximaram do veículo e dispararam três vezes. Após os tiros, um dos suspeitos tentou remover um objeto debaixo do carro, identificado posteriormente como um rastreador veicular, antes de fugir. O celular da vítima também foi apreendido pela polícia.
Caselli respondia a processos na Justiça Federal por associação criminosa, extorsão, usurpação de função pública e concussão. Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), ele se apresentava falsamente como delegado da Polícia Federal para extorquir empresários e servidores públicos, alegando possuir dossiês comprometedores e capacidade de ação policial. Em alguns casos, a denúncia aponta que ele contava com o apoio de um delegado federal real, o que conferia credibilidade às suas ameaças.
A execução é tratada pela polícia como um crime encomendado, dada a forma como foi planejada e executada. Investigações preliminares indicam que Caselli poderia estar sendo monitorado, reforçando a hipótese de que o atentado foi resultado de disputas financeiras ou vingança ligada às atividades de extorsão.
Autoridades policiais informaram que os suspeitos ainda não foram localizados e que as investigações continuam em sigilo, enquanto a perícia analisa os vestígios deixados no local do crime.
Caselli era conhecido no meio empresarial e político paulista por atuar como lobista, intermediando contratos e contatos entre empresas e órgãos públicos. No entanto, seu histórico criminal e a prática de se passar por delegado da Polícia Federal colocam em questão a legalidade de suas operações e levantam suspeitas sobre possíveis redes de corrupção e extorsão envolvendo seu nome.
A morte de Caselli reacende debates sobre segurança de figuras envolvidas em esquemas de lobby e sobre como crimes relacionados à extorsão e falsificação de autoridade podem impactar o setor público e privado.








